10 Maneiras de Criar o Seu filho Sem Frescura

10 maneiras de criar o seu filho sem frescura

Durante a gravidez da Thata, algumas amigas dela recomendaram diversos livros de maternidade, incluindo livros sobre o parto e outros que tratavam sobre a criação de bebês. Um dos livros que a Thata leu e depois me deu para ler foi o “50 Maneiras de Criar um Bebê Sem Frescura”, de Jenny Rosén. Nesse livro, a autora mostra que é possível cuidar de nossos filhos de maneira a garantir uma infância saudável e feliz, mas sem exageros nem “frescuras”.

Selecionamos aqui as 10 dicas para criar seus filhos sem frescura com que nos identificamos mais:

 

1- Estimule o seu filho, sem pressioná-lo:

Estimular a criança é muito importante para seu desenvolvimento, mas cuidado para não exagerar nos estímulos! Todos nós queremos que nossos filhos sejam excelentes em tudo, mas saiba desde já que a realidade não é essa. Cada criança vai mostrar aptidões para áreas específicas. Algumas serão melhores com números, outras com a fala, outras com habilidades motoras, outras terão a memória mais apurada, outras podem desenvolver uma capacidade musical acima do normal… A chance de você ter um pequeno Einstein em casa é muito, muito pequena, então tome muito cuidado para não depositar nele uma carga muito pesada de esperanças. Mais uma vez, lembre-se de que se trata de uma criança. Sempre que for apresentar algo de novo, faça de forma amorosa, natural e sem pressões. Se a criança não se interessar, não force a barra. Não deixe que as tensões da vida adulta e o senso de competição dos dias de hoje afetem o mundo da criança, pois isso pode trazer resultados muito ruins para o desenvolvimento dela.




2- Interaja com seu filho de forma natural:

Bebês e crianças adoram interagir. Os bebês aprendem a sorrir com algumas semanas de vida como uma forma de comunicação com a mãe. Os bebês precisam de muita interação – para ele, você é o mundo. Bebês gostam de se ver no espelho e adoram estar perto de outras crianças. Se você tem só um filho, leve-o para interagir com os filhos de alguma amiga ou vá ao parquinho do seu bairro para que ele conheça e brinque com outras crianças. Quanto mais contato interpessoal ele tiver e quanto mais cedo ele for se acosutmando com as convenções sociais, mais fácil será para ele conseguir se relacionar com as pessoas no futuro.

 

3- Seja flexível:

É muito importante manter a flexibilidade. Por um lado, crianças gostam e precisam de uma rotina, mas isso não significa que você não possa fazer pequenas alterações e concessões no dia a dia. Crie uma rotina estruturada para o sono e para a alimentação do bebê ou da criança, mas deixe seu filho livre para fazer o que ele quiser durante o dia. É legal sugerir atividades e é muito importante brincar junto com as crianças (elas adoram e precisam desse contato com os pais), mas cuidado para não sobrecarregá-las. As crianças podem ficar agitadas se houver um excesso de estímulos. Lembre-se de manter as coisas no ritmo da criança. Não a apresse a fazer as coisas e não a obrigue a brincar com alguma coisa que ela não está interessada.

 

4- Relaxe (um pouco), mas sem descuidar:

Existe uma grande diferença entre relaxar nos cuidados com os filhos e largá-los completamente. A idéia é que nós pais e mães possamos relaxar um pouco, ou seja, não ficarmos totalmente obcecados por cada detalhe da criação de nossos filhos. Precisamos dar uma certa liberdade para que eles explorem o mundo ao seu redor, para se relacionarem com as pessoas e com as coisas. É difícil a gente saber qual é a dose certa de cuidados com nossos filhos. É difícil encontrar um equilíbrio entre o exagero e a omissão, então tente seguir o seu bom senso e a sua intuição e reconheça as limitações das crianças. Mais uma vez, não esqueça de que eles são apenas crianças! Se os pais demonstram excesso de preocupação, as crianças podem perceber essa insegurança em seus pais e podem se sentir ansiosas.

 

5- Sujeira em pequenas doses é uma coisa boa:

Você já deve ter ouvido falar de “Vitamina S”. A verdade é que as sujeirinhas de dentro de casa  (naturais, não tóxicas) ajudam o bebê a criar anticorpos, que vão fortalecer seu organismo contra doenças. Sabemos que os bebês nascem com pouca proteção e vão adquirindo anticorpos a partir do parto (normal) e da amamentação no peito. A verdade é que você querendo ou não, mais cedo ou mais tarde, o bebê vai ter contato com sujeiras – quando os dentes começam a nascer e coçar as gengivas, o bebê vai colocar tudo o que puder na boca. Mais para frente, quando começar a engatinhar, ele consegue explorar muito mais o seu ambiente e experimentar mais do mundo com sua boquinha.

A dica aqui é não criar seu filho em uma redoma. Deixe o bebê no chão, pois isso é muito importante para ele aprender a engatinhar e a andar. Deixe que ele explore tudo e coloque as coisas na boca. Não se importe se ele vai se sujar. Isso tudo faz parte do desenvolvimento da criança!

 

6- Saia de casa com os pequenos:

Não deixe o bebê preso em casa por muito tempo! Assim que puder, comece a fazer passeios curtos com o seu filhote. Não existe uma idade certa para começar a sair de casa com o bebê. Alguns profissionais recomendam esperar as vacinas de 3 meses, quando o bebê já está mais protegido, mas outros liberam os passeios já nas primeiras semanas de vida. A autora Jenny Rosén defende que o ideal é já sair de casa para passeios curtos assim que os pais se sentirem seguros. Algumas mamães de primeira viagem ficam ansiosas para passear com seus filhotes, mas cuidado para não exagerar na duração, especialmente se o dia estiver muito quente. Prefira fazer passeios curtos pela rua em que você mora ou ir até um parque próximo. Não se limite aos passeios de carrinho de bebê. Compre um canguru ergonômico ou sling e passeie com o bebê grudadinho em você também.

 

7- Não ceda a chantagens emocionais:

Quando seu filho estiver passando por uma crise nervosa, muito conhecida como “terrible twos”, respire fundo antes de reagir. Os “terrible twos” são também chamados de chiliques, birras, ataques de raiva etc. São aquelas ocasiões em que a criança grita, se joga no chão e esperneia quando não fazemos as suas vontades. Alerta vermelho: não ceda às vontades da criança quando ela estiver gritando. Por mais que nossa vontade seja dar logo aquilo que a criança quer, ao fazer isso nós estaremos reforçando o seu comportamento. O que a criança entende é “se eu chorar e gritar, eu vou conseguir o que eu quero”. Seja dura, mas não seja fria. Mas não é para ignorar a criança, nem deixá-la chorando sozinha, pois é um momento delicado em que ela precisa de suporte emocional.

Leia nosso post com dicas para lidar com os terrible twos.

 

8- Leia para seu filho:

Seu bebê tem capacidade de entender as coisas que você fala para ele desde poucos meses de vida. Uma das formas mais antigas de estimular a linguagem e a imaginação das crianças é através da leitura. O contato com livrinhos infantis, impressos, é sempre muito bom para os pequenos. Crianças são muito observadoras. Se os pais têm o hábito de ler, a criança tenderá a se interessar mais pela leitura também. Mostre para ela o livro que você está lendo. Leia junto com seu filho. Ofereça livros infantis variados ao seu alcance para que ele tenha contato por ele mesmo, sempre que ele quiser. Existe uma enorme variedade de livros disponíveis no mercado: ilustrados, pop-up, musicais, livros de atividades, livros para colorir, livros de adesivos e até livros de plástico que a criança pode levar para o banho.

Deixe que a criança devore os livros, mesmo que isso seja um pouco literal. O Eric sempre teve uma estante de livrinhos na altura dele e quando os dentinhos estavam nascendo ele roeu alguns. Alguns outros livros ele rasgou. Ficamos tristes na hora e explicamos a ele que tinha que cuidar dos livros com carinho. A cada dia que passa, notamos que ele respeita os livros cada vez mais e toma muito cuidado com eles. Ele lê diariamente porque sempre foi estimulado a isso.

 

9- Trate meninos e meninas da mesma forma:

Esqueça as expressões “brinquedo de menina” ou “brincadeira de menino”. Isso não existe. Crie seus filhos sem distinção de gênero! Seu menino gosta de brincar com bonecas? E daí? Sua filha só quer saber de bola e carrinhos? Ótimo! Devemos deixar que eles brinquem com aquilo que eles quiserem. Respeite as vontades dos seus filhos e não proíba (pois pode até ter um efeito contrário). Brinquedos não afetam em nada a sexualidade e quanto mais contato com brinquedos e brincadeiras diferentes a criança tiver, mais ela estimula seu desenvolvimento.

Já se foi o tempo em que os homens não se envolviam com a criação dos filhos no dia a dia. Isso é a maior besteira. A criança precisa do contato com o pai que troca a fralda, prepara e dá comida, dá banho, veste etc. Não importa se é pai de menino ou pai de menina.

 

10- Confie na sua intuição:

Mamães de primeira viagem costumam ouvir muitos conselhos, palpites e recomendações médicas. Costumam ler muitas coisas em livros e na internet, costumam frequentar cursos de primeiros cuidados com os bebês etc. Informação é muito importante, especialmente aquelas que vêm de doulas, pediatras, nutricionistas e outros profissionais que atuam no atendimento infantil, porém nunca deixe de confiar na sua própria intuição!

Não é para duvidar ou desafiar o que os outros estão falando, mas pense sobre cada informação e reflita se elas fazem sentido para você. As tarefas do dia-a-dia são muito mais difíceis na prática do que no curso de gestantes: posicionar o bebê no peito, trocar fraldas, limpar o umbigo, dar banho etc, mas cada mãe encontra o seu jeito de fazer tudo. Fique tranquila, que você vai conseguir superar quaisquer dificuldades iniciais, até porque as mulheres tem o instinto natural de cuidar de suas crias.




Fonte: ROSÉN, Jenny. 50 Maneiras de Criar Um Bebê Sem Frescura. Editora: Panda Books, São Paulo, 2008.

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