Conselhos Sobre Amamentação: Você Ajuda ou Atrapalha?

Conselhos Sobre Amamentacao Voce Ajuda ou AtrapalhaQuando as clientes e amigas chegam a mim para tirar dúvidas, normalmente já passaram por textos sobre amamentação, dicas dos familiares, das vizinhas e amigas, já tentaram uma porção de coisas que às vezes não ajudaram e até atrapalharam.

O apoio e disseminação da informação são dois pontos muito importantes quando se trata de apoiar mães que amamentam, mas será que toda informação que circula pela internet ou nas rodas é verdadeira? E mesmo sendo verdadeira, será que aquela mãe que está com problemas nos primeiros dias precisa de 100 links com diversos textos imensos que vão desde a gestação até o desmame?

É preciso entender que a dupla mãe-bebê é sempre única. Os estudos estão disponíveis para que possamos dar uma assistência baseada em evidências científicas e não baseada em achismos, mas será que apenas uma passada de olhos em algum estudo ou texto sobre o tema resolve todos os problemas? Não.



Para uma parte das mulheres orientações básicas irão resolver, algumas conseguirão uma boa rede de apoio para colocar em prática o que recebeu de informação mas outra parte das mulheres precisará de um olhar específico para suas particularidades.

Não me entendam mal, os grupos, textos, conselhos, muitas vezes ajudam e talvez sejam a única fonte que algumas mães poderão acessar. No entanto, é preciso verificar as fontes antes de repassar uma informação, e se não tiver certeza, indicar lugares seguros especializados em aleitamento materno, como por exemplo o Banco de Leite, que possui atendimento de qualidade e gratuito.

Antes de fazer algum comentário, tente se colocar no lugar da pessoa, pense que aquela pessoa pode estar com muita dor, ou muito frustrada por não conseguir amamentar o seu bebê da forma que gostaria. Pense que essa pessoa possui características únicas e desejos que podem ser diferentes dos seus.

Comentários como “é assim mesmo”, “você está fazendo errado”, “você deveria fazer dessa forma” dificilmente ajudam e podem humilhar e desencorajar, principalmente se feitos em redes sociais.

Para os casos em que as orientações básicas disponíveis não serão suficientes, será necessária uma avaliação profissional atenciosa da dupla mãe-bebê. É preciso mais do que ter lido um texto, é preciso atenção, conhecimento e bastante empatia para tentar entender  o que acontece ao redor da mãe e do bebê e muito cuidado ao propor novos caminhos possíveis para que aquela mãe atinja o seu objetivo na amamentação, seja ele qual for.

Se você é uma das pessoas que gosta de ajudar e contribuir, é uma pessoa que trabalha com mães que optaram por amamentar, ou até mesmo se você é uma consultora em aleitamento materno te convido a refletir comigo sobre os pontos abaixo:

  • Algumas mães não poderão fazer livre demanda pois não possuem rede de apoio. O que você pode fazer para ajudar essa mãe?

  • Algumas mães não poderão ficar em casa durante 6 meses para manter o leite materno exclusivo ou terão condições apropriadas de transportar o leite materno caso possam ordenhar no trabalho. De que forma você pode ajudar essa mãe a fazer a ordenha no trabalho e a transportar o leite?

  • Algumas mães não conseguirão não utilizar nenhum bico do nascimento até o desmame. Possuem outros filhos, uma casa pra cuidar e muitas vezes ainda um trabalho externo e nenhuma ajuda. Caso essa mãe opte por utilizar bicos, de que forma você pode acolher e ajudar dentro da realidade dela?

  • Nem todas terão acesso a informação de qualidade. O que vc pode fazer para informar de forma consciente suas amigas e mulheres da comunidade? Você sabe quais são os bancos de leite da sua região?  Saiba aqui no site da Fiocruz.

  • Nem todas terão condições financeiras de comprar apetrechos relacionados a amamentação. Desde um sutiã adequado, passando por relactadores ou bombas elétricas mais caras. Será que o que você está propondo para sua amiga ou cliente condiz com a realidade dela? Quais substituições você pode propor para ajudar?
  • Nem todas terão parceiros ou parceiras dispostos a ajudar e contribuir para o sucesso do aleitamento materno. Como conscientizar esses parceiros? Você fala sobre a importância do apoio com seus amigos homens por exemplo?

  • Nem todas terão os mesmo limites ou desejos que você. Que tal tentar se colocar no lugar dessa mulher antes de dar algum conselho?

  • Nem sempre chamar uma consultora em amamentação ou ir ao banco de leite,  resolverá todos os problemas e é preciso ter consciência de que outros profissionais como psicólogo, mastologistas, pediatras, fonoaudiólogos, nutricionistas e etc poderão entrar na jogada. Que tal indicar algum profissional amigo da amamentação que não vá desencorajar essa mulher a alcançar seus objetivos?

Existem MUITOS outros pontos que gostaria de abordar hoje, mas deixarei para um próximo post.

E você, quando aconselha uma amiga, repassa alguma informação, atende alguma cliente, reflete sobre esses pontos? Você procura saber se as informações que repassa são verdadeiras? Você, mãe que amamenta, já precisou de acolhimento em alguma situação e não teve? Qual foi? Deixem suas reflexões nos comentários, adorarei ler, debater e aprender com vocês.

 

camilla mendes consultora em amamentacao rio de janeiro

Camilla Mendes é Consultora em Amamentação e Educadora Perinatal e atua na cidade do Rio de  Janeiro.
Tel: 21 99688-3111 (what’s app)
E-mail: moira.consultoria@gmail.com
Facebook Moira Consultoria em Amamentação e Educação Perinatal

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