Estereotipias – STIM – Movimentos Repetitivos Que Autistas Usam

Estereotipias – movimentos repetitivos que muitos autistas usam.

Eric faz OK com o dedo o tempo TODO.
De vez em quando faz caretas também, colocado a língua para fora e espremendo os olhos. 
Gosta de se balançar de um lado para o outro, com as pernas bem abertas, enquanto vê TV.
Conta absolutamente tudo com os dedos da mão: quantidade de colheres comidas, quantidade de degraus na escada etc, quantas folhas estão caídas no chão… ele vai levantando os dedinhos das mãos e vai contando.
Às vezes ele faz barulhos diferentes com a boca, como “ih ihh ihhh”. Só as vezes.

Eric quando está posando para uma foto, ele se mexe muito, faz caretas com sorrisos, caretas sem sorrisos, enquanto entorta o corpo para o lado.
Quando esta pensando, ou tentando se lembrar de alguma coisa, os olhinhos vão para cima e o lábio inferior fica para frente (fazendo beicinho), enquanto vira a cabeça para lá e para cá.
Essas estereotipias também são chamadas de STIM. O que a maioria das pessoas não sabe é que elas ajudam o autista a se auto-regular e a evitar crises (crises de nervoso, crises de agressividade, crises sensoriais). Essas estereotipias são parte da identidade autista e cada pessoa pode apresentar STIMs diferentes.



Stim significa movimentos corporais repetitivos que autoestimulam um ou mais sentidos, de maneira regulada (movimentos autoestimulatórios). Esses movimentos vão ajudar os autistas a se acalmarem, a se sentirem seguros, eles são auto-regulatórios. Além disso ajuda o autista a se concentrar e prestar mais atenção à sua volta.

Exemplos comuns de STIMS:

Bater as mãos.

Balançar os joelhos.

Rodar a cadeira.

Fazer caretas / torcer o rosto.

Fazer sinais com as mãos.

Balançar o corpo.

Emitir sons repetitivos com a boca.

Lamber parte do corpo ou objetos

Ficar repetindo a mesma palavra ou frase que ouviu de alguém.

Vale lembrar que nem todo mundo que faz STIMS é autista. 10% das pessoas neutorítpicas vão fazer movimentos repetitivos para se sentir seguras. Somente uma característica não define autismo, é preciso apresentar várias sinais para ter o diagnóstico.

É bom também observar que nem todo autista vai ter STIMS – como todos os profissionais sempre falam, cada autista é de um jeito. Nem todos vão ter todos sinais de autismo.

Carol Figueira Vilela – psicopedagoga especialista e pós graduada em autismo, dá a sua opinião sobre o assunto:

“A aceitação dos stims é uma coisa que tem que mudar entre os profissionais clínicos… Na maioria das técnicas de intervenção em autismo encontramos treinos para eliminar os stims, sendo que a maioria é inofensiva!!! Óbvio, não vamos deixar a criança bater na própria cabeça pra se acalmar, mas qual o problema de estalar os dedos, mexer as pernas?? Até nós, que somos neurotípicos temos esses stims ( por exemplo, se eu estiver ansiosa eu bato os pés ou balanço as pernas, mexo no cabelo), porque não aceitar nos autistas?”

Ela ainda complementa dizendo:

“Na maioria dos métodos tem treinamentos pra eliminar os comportamentos disruptivos, que atrapalham a aprendizagem etc. Entre eles estão as birras, crises e infelizmente, costumam estar os stims… Mas acho que com o tempo isso está mudando; os autistas hoje tem muito mais voz (graças inclusive às redes sociais) e estão lutando pelo direito à sua individualidade (que inclui os stims)”

Então você pai, mãe ou cuidador de uma criança ou até mesmo adulto autista, não repreenda o STIM dele (a). Esses movimentos repetitivos são importantes para o autista, dão segurança, ajudam na concentração e fazem parte da individualidade dele. Ao invés de repreender, trabalhe a SUA aceitação aos STIMS, A não ser, claro, que esteja fazendo mal ao autista, esteja fazendo que a pessoa se machuque de alguma forma. Fora isso, não há motivos para impedir que os movimentos repetitivos aconteçam.

Obs. Fomos para Disney Paris ha pouco tempo e Eric curtiu muito. Reparei que ele faz mais STIMS quando está feliz. Acredito que por serem muitos estímulos ao mesmo tempo, essa era uma forma dele se autoregular e não entrar em crise. Fiz alguns filminhos dele fazendo STIMS – assista o vídeo abaixo para entender melhor sobre o assunto e ver o Eric fazendo as estereotipias.

Autora Thais Cardoso
Mamãe Tagarela
Acompanhe a família no Instagram @mamaetagarela

 

Fonte: Autism Wiki

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