Hora de ouro – A Importância da Primeira Hora de Vida do Bebê

Vocês já ouviram falar da hora de ouro?
Em socorro médico essa hora se refere aos primeiros cuidados que podem ser definitivos pra salvar a vida de uma pessoa.
No mundo materno a hora de ouro corresponde a primeira hora de vida do recém nascido e ela é bastante importante. Sabe por quê? Inúmeros estudos apontam que os cuidados durante essa primeira horinha de vida trazem um impacto significativo para a saúde tanto da mãe quanto do bebê.

Independente da via de parto ao nascer o contato pele a pele é de suma importância e o bebê só deve ser separado da mãe nessa primeira hora em caso de extrema necessidade, se ambos passam bem o neonatologista pode fazer a avaliação no colo da mãe, e o que não for possível fazer, como pesar e medir, pode ser feito uma hora depois sem nenhum problema. O banho de rotina inclusive pode ser dispensado, afinal o vernix que o bebê tem é importante e a mamãe tagarela já falou disso aqui além de outros procedimentos desnecessários.



O bebê ao sair do útero deve ir direto para o colo da mãe e para potencializar o efeito do colo é imprescindível o contato pele a pele que se complica com camisolas que são fechadas atrás na maioria dos hospitais. O contato pele a pele assegura o aquecimento do bebê e começa o importante papel de colonização de bactérias a partir do contato com as bactérias da pele da mãe, por falar em bactérias o desenvolvimento da flora intestinal com o colostro ainda na primeira hora de vida é muito importante, essa vacina natural deve ser encarada como o primeiro super alimento, e deve ser oferecida ao bebê de preferência na hora de ouro.

Não se preocupe com a quantidade, o colostro pode sair bem pouco, mas o estômago do bebê só tem capacidade de 5ml e ele nasce com reservas de energia, a tendência são várias mamadas curtas, mas que pelo menos uma aconteça logo na primeira hora. Pois estudos fazem uma relação entre a amamentação na primeira hora de vida ser responsável por aumentar 50% do sucesso no aleitamento materno.

Além de tudo isso, o fato do bebê sugar estimula a descida do leite maduro (aquele branquinho) e possuímos conexões que através do estímulo de sucção do bebê nos mamilos fazem com que a gente produza o hormônio do amor, a oxitocina, que será ainda importante após o nascimento para além de produzir leite ajudar a contrair o útero para dequitação da placenta, afinal depois de nascer o bebê a placenta tem que nascer também.

Infelizmente a maioria dos hospitais tem uma rotina muito desumanizada na recepção dos recém nascidos com práticas totalmente obsoletas e sem nenhum respaldo da medicina baseada em evidências, porém se você acha importante essa primeira hora de vida do bebê ser repleta de colo, leite e amor e que você possa observar cada pedacinho desse ser feito dentro de você e que você estava super curiosa e ansiosa para vê-lo, deixe bem claro no seu plano de parto que você gostaria de contemplar seu bebê durante a primeira hora de vida aquecendo e alimentando ele.

Do ponto de vista psicológico isso é muito importante para a mãe também, nessa hora imediata após o parto acontece a materialização do bebê, que saiu dos planos, do sonhos e dos desejos pra realidade e está enfim no seu colo, o vínculo começa a se formar, e embora eles nasçam vendo muito pouco eles já enxergam alguma coisa se estiverem bem próximos, o fato de tê-los no colo permite que ele veja seu rosto bem de pertinho e comece a armazenar seus traços, você também está se materializando pro seu bebê que antes podia te ouvir, mas não podia te ver, te sentir, te cheirar. Seus sentidos começam a ser usados desde já.

Converse com a equipe que for te atender e garanta a hora de ouro de vocês, porque depois a chance de ter uma linda lua de leite só aumentará. Não sabe o que é lua de leite, veja aqui. Agora que você já sabe da importância desse primeiro momento da vida do seu bebê negocie trocar a camisola por uma opção que facilite o contato pele a pele e viva essa primeira horinha de contemplação do seu pedacinho de gente.

Eloá Chaignet é mãe, doula e professora de Dança, idealizadora do Cria em Movimento no Brasil e do MaterDanse na França, onde vive atualmente e faz Doutorado em Psicanálise.
Ig @Eloachaignet

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