A Metamorfose da Paternidade

Hoje o Pedro que escreve no blog Minutantonio trouxe um texto que é homenagem para o dia dos pais:

“O que é a lagarta vista pela borboleta? Uma base, um projeto, uma semente que passará por uma transmutação profunda e conhecerá um novo mundo. O interessante é que a lagarta não sabe disso quando entra no casulo preparada para a morte. E mesmo que a lagarta ouvisse da borboleta um testemunho, ela não teria como fazer uma ideia completa do processo porque lhe faltam elementos de análise – seria como explicar a um cego de nascença o que é a luz. Só a experiência torna esse conhecimento completo.

Hoje, em meu primeiro dia dos pais, consigo olhar o casulo de que saí com a metamorfose da paternidade. O nascimento desse novo ser-pai, formado daquele ser que lhe serviu de base, me fez conhecer um novo universo de sentimentos, prioridades e futuros possíveis até então só alcançáveis pela imaginação.

O dia dos pais sempre foi ocasião de agradecer a meu pai, meu guia, meu mestre, meu amigo, por tudo o que ele representava para mim. Sempre achei que ele merecesse isso e muito mais, e, até hoje, tenho a sensação de que jamais poderei agradecer-lhe por tudo.



Mudando de lado vejo um novo significado, transmutado, transformado, sublimado. Não. Não é apenas a ocasião de o filho agradecer a seu pai. É, principalmente, o momento de o pai agradecer à vida por permitir que a lagarta tenha se transformado em borboleta e ter dado a ele a chance de pensar o que não concebia e sentir o que não conhecia e, assim, ter começando a ganhar o céu.

A cada vez que vejo meu filho soltando um sorriso largo e, não sabendo como se conter de alegria, batendo bracinhos e perninhas quando me vê a vontade que eu tenho é de deitar no chão e fazer a mesma coisa. Por outro lado, a cada vez que vejo meu filho com dor, a vontade que tenho é de transportá-la para mim, aumentada dez vezes se necessário, mas, como não posso, me colocar ao seu lado até que ela passe, confortando-o e amparando-o.

Neste dia dos pais, meu filho me homenageia com alegria e sinceridade porque me ama. Isto é o ápice de seu sentimento enquanto é lagarta. O que ele ainda não sabe é que, se decidir entrar no casulo e se submeter à metamorfose da paternidade, a significação desse dia também mudará.

Neste dia dos pais, quem agradece sou eu, pai, por, através do meu filho, poder descobrir os limites do amor, da responsabilidade, do bem-querer. Por me dar asas e me permitir voar.”

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