Para Que Serve a Placenta Antes e Após o Parto

Hoje vamos falar de um elemento no universo da maternidade, que apesar de ter um nome conhecido e um papel super importante na gestação, ainda é algo que está começando a ter seu devido reconhecimento e atenção. Toda mãe que gestou no ventre, fez vir à luz além do filho, ela. E ela é a placenta! Segundo o dicionário, esse substantivo feminino é “Massa carnuda na extremidade do cordão umbilical que estabelece a comunicação entre o sistema circulatório do feto e o da mãe, durante a vida uterina.” (“placenta”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, [consultado em 01-02-2018].)

Responsável por nutrir e fazer nossos bebês se desenvolverem dentro do útero, esse órgão que criamos durante a gestação foi durante anos jogado no lixo hospitalar (e ainda é) e apesar de todos saberem de sua existência, recentemente que ela tem sido assunto. Digamos que ela está ficando conhecida por opções “exóticas” para uma sociedade acostumada com o afastamento de sua natureza.

A placenta faz parte do ninho do feto e sua principal função é estabelecer a comunicação entre o corpo da mãe e do bebê, por meio da troca de nutrientes para proteger e sustentar a gravidez.
Ela filtra o sangue da mãe, eliminando tudo o que é não é necessário, transporta oxigênio, glicose, cálcio, água, entre outras substâncias, para o bebê. Tudo isso é fundamental pro desenvolvimento do feto.
Seu peso é de aproximadamente 500 gramas, e possui duas faces: uma que fica grudada na parede interna do útero e outro lado de onde sai o cordão que se liga ao umbigo do bebê. Ela pode ter vários formatos, mas tem uma forma arredondada e achatada.



Existem alguns problemas que podem interferir no funcionamento da placenta, como:

  • Insuficiência placentária, uma patologia que é uma má-formação que fará que ela nao funcione de modo adequado e isso pode vir a interferir no desenvolvimento e crescimento do bebê. Se o bebê não cresce muito não significa insuficiência, existem questões genéticas também, que na verdade são as maiores responsáveis pelo tamanho dos bebês.
  • Placenta baixa ou prévia, diz respeito ao local onde a placenta está fixada no útero, o mais comum é que ela se fixe no fundo do útero ou no centro, mas em alguns casos ela pode ficar mais abaixo ou até na frente do bebê em relação a ordem de saída, isso pode provocar sangramentos e até descolamento que é o próximo item e que não tem relação com o local de fixação, se trata na verdade que a placenta desgrude do útero o que compromete a troca de nutrientes e oxigênio para o bebê.
  • Placentite, algumas doenças infecciosas, como por exemplo a sífilis, a rubéola, a toxoplasmose e a herpes, podem gerar processos inflamatórios da placenta, chamado de placentite. Isso pode fazer com que seu tamanho e espessura aumentem, e altere suas funções.

Mas é claro, para todas as situações é importante um acompanhamento no pré-natal, e seguir todas as recomendações dos profissionais é de extrema importância tanto para você quanto para seu bebê. E não se preocupe, pois há cuidados indispensáveis para uma gestação saudável e feliz. E após mais ou menos 40 semanas sua placenta nasce com seu bebê e o que fazer com ela?

Destina-la ao lixo hospitalar e nem ver a cara dela é o mais comum, mas é possível fazer diferente.

carimbo de placenta
Carimbo de placenta

Artisticamente: você pode escrever uma carta de agradecimento para a placenta ou um poema, sua Doula pode te auxiliar a fazer o carimbo da sua placenta com sangue ou com tintas coloridas e o resultado é lindo. Pode decorar sua casa ou o quarto da criança, fica parecendo uma árvore e por isso chamamos de árvore da vida.

Tintura de placenta: consiste num concentrado de propriedades homeopáticas, pouco se sabe cientificamente comprovado, mas muitas pessoas que o fazem atestam sua eficiência. Algumas doulas também podem fazer a tintura.

Cápsula de placenta: precisa ser feito em laboratórios trata-se de secar e encapsular a placenta. Seus benefícios seriam próximos ao da ingestão.

Adubo de placenta: pode ser usada pra adubar uma planta ou uma futura árvore, há quem prefira por árvores frutíferas pra que posteriormente esse fruto seja consumido pela família.

Beber smoothie: algumas parteiras usam um pedacinho da placenta e misturam com frutas fazendo uma vitamina ou smoothie ultra vitaminado.

Comer: algumas mulheres decidem comer a placenta, não preciso dizer muito sobre isso, há diferentes possibilidades de preparo de farofa a placenta assada.



Então, há muitas opções do que se fazer com a placenta. Umas mais ousadas outras menos, mas simbolicamente há várias coisas que podem ser feitas e agora que você sabe pode escolher um destino melhor que o lixo hospitalar pra esse órgão incrível que ajudou seu bebê se formar e a chegar no mundo. E você, o que fez com a sua placenta? Ou qual dessas opções você fará ou faria se soubesse? Conte para a gente!

Beijos e até a próxima.

(Foto da imagem de capa por Monet Nicole)

Eloá Chaignet

Eloá Chaignet é mãe, doula e professora de Dança, idealizadora do Cria em Movimento no Brasil e do MaterDanse na França, onde vive atualmente e faz Doutorado em Psicanálise.
Instagram @Eloachaignet

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