O Renascimento do Parto – Opinião

O Renascimento do Parto – OpiniaoSempre ouvi falar que toda mulher que quer parto normal deveria assistir o documentário “O Renascimento do Parto”, mas a minha sensação e a sensação do Papai Tagarela, quando terminamos de assistir era de que toda grávida deveria assistir a esse documentário e não somente aquelas que querem parto normal.

O Renascimento do Parto é um documentário feito em 2012, de 91 minutos, por Érica de Paula e Eduardo Chauvet e não pelo Márcio Garcia (ator) como muita gente pensa.

Falando em Márcio Garcia, ele e sua esposa Andrea Santa Rosa aparecem no documentário. Mas não pense que eles ficam falando sobre a vida deles o tempo todo. Eles falam sim sobre o nascimento dos 3 filhos. Andrea conta da sua decepção com a obstetra que fez o primeiro parto, mas o filme-documentário envolve muito mais do que isso, envolve a realidade dos partos no Brasil e também conta histórias de outras gestantes.



No filme também vemos a famosa Melania Amorim, que além de obstetra é blogueira no “Estuda, Melania, Estuda!”, falando sobre diversos assuntos como motivos pelos quais não deveria ocorrer a cesárea e como funciona essa máfia de todos quererem cesárea: o hospital, o médico, o plano de saúde, pois é mais vantajoso para todos.

Além da Melania Amorim, outros profissionais da área dão entrevista no filme, nos contando histórias e absurdos que nos chocam.

Falando em absurdo, o maior deles contado no filme, na minha opinião, é o caso de uma gestante que foi fazer um ultrassom em um local indicado pelo obstetra dela e saiu de lá com o ultrassom dizendo que o filho dela estava com circular de cordão (quando o cordão umbilical enrola no pescoço no bebê – que nem é indicação de cesárea, pois o bebê até o nascimento não respira pelos pulmões, através da boca e do nariz. Até o nascimento o bebe respira através do próprio cordão umbilical). Essa gestante, desconfiada, foi repetir o ultrassom no local dela de confiança onde não apareceu circular nenhuma. Ela levou para o obstetra dela apenas esse segundo resultado e ele se espantou quando soube que o ultrassom não era da clínica que ele indicou. Depois ele inventou outro motivo para marcar a cesárea, mesmo contra a vontade dela.

Aliás, uma questão abordada no filme que deveria ser falada mais a fundo, são as intervenções que são feitas nos bebês quando eles nascem. Acho interessante falar disso mais a fundo porque algumas intervenções podem ser substituídas para evitar com que os bebês sofram, como a vitamina K que pode ser dada em gotas em vez de injeção intramuscular. Ou o colírio de prata que arde demais o olho do bebê e só serve para as mães que tem gonorreia e tiveram parto normal, ou seja, quase ninguém, mas usam em todos os bebês por protocolo apenas. Aqui na Irlanda, por exemplo, não usam o colírio de prata. Como tá vindo um segundo filme aí, quem sabe eles não falam sobre essas questões e outras mais?

Resumindo, o filme retrata a realidade obstétrica brasileira e acredito que o objetivo seja denunciar o que tem de errado no sistema privado e público brasileiro. É um documentário forte, chocante e verdadeiro.

Acho válido qualquer gestante assistir o filme antes do bebê nascer, mesmo aquelas que querem cesárea, porque assim quem sabe, optem por uma cesárea humanizada e também esperem a hora do bebê nascer.

A escolha consciente é importante.

Por fim, eu terminei esse filme e chorei. Chorei muito e continuo chorando quando lembro tudo o que eu poderia ter feito de diferente pelo meu filho.

Para quem ficou curioso, vou deixar o trailer abaixo:

 

Beijos, Thata

Fonte:
Imdb

Foto:
Sites Uai

Dê a sua opinião: