Sobre a Campanha Anti Aborto

mulher chorando sobre a campanha antiaborto do facebookVocês devem ter notado que essa semana que se passou surgiram várias fotos no Facebook de mulheres quando estavam grávidas com as hashtags #afavordavida e #contraoaborto.

Mulheres lindas, bem de vida, felizes, desfilando as suas barrigas de grávidas e mostrando o quanto é bom estarem grávidas… para elas, né?

Eu, sinceramente, acho que mostrar a sua foto grávida no Facebook não vai mudar em NADA a cabeça de quem quer abortar. A sua foto grávida no Facebook só serve pra mostrar o quanto você ficou linda grávida. Aliás, todas que apareceram na minha timeline estavam lindas grávidas. Mas eu não curti foto nenhuma, não curti porque não acho que é assim que as coisas funcionam e não é assim que algo vai mudar.



E vou além disso: essas mães que colocaram as suas fotos grávidas no Facebook não moram no morro, não tem 10 filhos pra criar com um salário mínimo, não sofreram violência sexual, enfim, não fazem a mínima idéia do turbilhão de sentimentos e problemas que as outras mulheres estão passando quando decidem pelo aborto.

Esses dias li uma matéria falando disso na Carta Capital e concordo em parte com o que foi dito.

Eu, Thaís, não abortaria. Não na minha situação atual. Já sofri um aborto e sei o quanto isso dói na alma, mesmo muitos anos depois. É uma experiência que mulher nenhuma vai esquecer, tenho certeza, mesmo aquelas mulheres que optaram por isso vão ficar marcadas para sempre.

Mas conheço muita gente que abortou. Falando nisso, você conhece também, só não sabe quem foi. São primas, tias, avó, mãe, amigas… mulheres que estão muito perto de você e que você ama.

Eu sou a favor da legalização do aborto porque legalizar significa não só as mulheres pararem de frequentar clínicas clandestinas para conseguirem o aborto, conseguindo assim direito à um médico bom e credenciado, aparelhos esterilizados, salas cirúrgicas limpas e esterilizadas de acordo com a norma. Mas muito além disso, legalizar é essa mulher ter direito a um acompanhamento psicológico, que ao meu ver deveria ser obrigatório para qualquer mulher que pensa em abortar. Tenho certeza que aí sim muitas mulheres desistiriam de abortar e decidiriam ter seus filhos.

A mulher que decide abortar está fora de si, está desesperada, muitas vezes se sente sozinha e abandonada pelo seu “companheiro”, se sente sem rumo, precisa de apoio e acompanhamento psicológico para ela só então decidir de cabeça fria se é aquilo mesmo que ela quer. Muitas vezes ela não tem com quem contar e nem para quem contar. Ela está naquela situação, muitas vezes, sozinha, não pode contar com a mãe, nem com o pai, nem com a maioria das amigas. Quer diminuir as taxas de aborto? Na minha opinião o caminho é legalizar.

Eu não sou contra nem a favor do aborto, mas sou a favor da legalização e isso não significa que eu não seja a favor da vida, muito pelo contrário, significa que eu sou a favor da vida mais do que nunca. Ser a favor da legalização é ser a favor de resguardar a vida das mulheres que morrem fazendo aborto, principalmente as mais pobres.

Não sei se vocês sabem, mas o aborto já é crime! Exceto em caso de estupro, risco de morte da mãe e se o feto for anencéfalo e isso não tá ajudando em nada a reduzir o número de abortos. No Brasil são feitos 1 milhão de abortos por ano, ou seja, 1 a cada 5 mulheres já fizeram um aborto e a cada dois dias morre uma mulher vítima de aborto ilegal. Então, como você vê, a lei do aborto não é eficaz para impedir que os abortos aconteçam, mas é muito eficaz para matar mulheres.

Depois que o aborto foi legalizado no Uruguai, nenhuma mulher morreu abortando e as taxas caíram. Hoje em dia 10 em 1000 mulheres fazem aborto lá e é a taxa mais baixa do mundo! Como você pode ver a legalização do aborto é eficiente para salvar mulheres e para diminuir a taxa de abortos.

O aborto é legalizado em 56 países e, é óbvio, são os mais desenvolvidos e geralmente a gravidez só pode ser interrompida no primeiro trimestre. A lei nesses países garantiu automonia às mulheres e reduziu ou zerou o número de mortes de mulheres decorrentes de aborto.

A responsabilidade de ter filhos é tão séria que não deve, em nenhuma circunstância, ser imposta. Maternidade deve ser escolha, não obrigação. (Carta Capital)

Fonte: Carta Capital

Lembro de alguns anos atrás ter visto um programa, acho que se passava nos Estados Unidos, o programa acompanhava mulheres que queriam abortar. Essas mulheres passavam por um psicólogo antes de serem submetidas à curetagem. E pasmem, todas elas desistiram de abortar. Uma delas chegou a entrar na sala cirúrgica mas saiu de lá aos prantos e disse que desistiu.

Agora eu peço que você abra a sua mente só um pouquinho para ver os vídeos e ler esses textos abaixo.

Vídeo “E o aborto se fosse legalizado?” Dr Dráuzio Varela

Vídeo “História das Clandestinas” mulheres que se submeteram ao aborto

Texto Carta Capital Perguntas Frequentes sobre o aborto

Texto “A Questão do Aborto” Dr Dráuzio Varella

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