Solidão Materna da Mãe Que Mora Fora do Brasil

Eu acredito que quase todo mundo aqui já tenha ouvido falar na solidão materna de quando o bebê nasce, certo? Para quem nunca ouviu falar, essa solidão é quando você tem ali um serzinho 100% do tempo, ou seja, tecnicamente você não teria como se sentir solitária, mas você se sente porque o seu bebê não supre as suas necessidades sociais. Você é uma provedora para o seu bebê mas o seu bebê não te dá a interação social.

Eu e os meus filhos em Malta.

Isso acontece também quando você se muda com filhos para fora do Brasil…Solidão Materna da Mãe Que Mora Fora do Brasil

Desde que eu me mudei para Malta há 4 meses, eu tenho me sentido estranha mas sem saber explicar porquê. Não imaginei mesmo que isso iria acontecer comigo após anos morando fora do Brasil.



Fui para a Irlanda em 2008, quando eu ainda não tinha filhos. A princípio, quando você se muda para um país novo, a primeira sensação é de euforia. Tudo é lindo demais, tudo funciona perfeitamente (ou quase perfeitamente) demais e parece que você fez a melhor escolha da sua vida. Eu fiquei nessa fase por 2 meses até que caí na real de que não é bem assim.

Aí vem a fase do home sick, ou seja, saudade de casa. Saudade das pessoas, dos lugares, das comidas. Nessa fase bate a deprê, você chora, sente falta, fala no skype, what´s app (na minha época tinha skype somente no computador, não existia smartphone). Dizem que em média as pessoas levam 2 anos para se adaptar a um novo país. Sabendo disso eu aguentei firme e acabei de acostumando e me apaixonando pela Irlanda. Fiz amigos que marcaram a minha vida, inclusive a madrinha da Mia que vou carregar para sempre comigo.

Essas fases acontecem com quem não tem dia nem hora para voltar. Quando você vai estudar fora com dia e hora marcados para voltar as fases, geralmente, se dão de forma diferente.

Aí surgiu a oportunidade de vir para Malta. Eu não pensava em sair da Irlanda de jeito nenhum, mas a oferta de emprego que fizeram para o meu marido foi irrecusável, não tínhamos como não vir. Aqui poderíamos dar mais qualidade de vida para as crianças. Assim colocamos a nossa casa em caixas e viemos para cá.

Chegando aqui eu não imaginei mesmo que eu iria passar novamente por esse processo, afinal de contas, eu já estava morando anos longe da família e dos amigos, que estão no Brasil.

Mas o que pegou mais aqui foi a solidão materna de quem vem morar no exterior.

Eu passei sim pela fase da eurofia inicial, afinal de contas Malta parece um pequeno paraíso escondido no mapa. Tudo é lindo demais aqui. Mas depois de 1 ou 2 meses eu comecei a sentir um vazio. Uma crise existencial. Uma necessidade de me reconstruir. Uma necessidade de mudar o meu estilo de vida, de ME mudar por dentro. De matar essa Thaís e construir uma pessoa nova.

Mas hoje eu me dei conta, quando uma amiga me mandou uma mensagem. Ela se chama Musa Magalhães e costumava ser blogueira também. Ela me mandou um what´s app porque ela sabe que estamos no mesmo barco. Ela se mudou para o Canadá há 6 meses e ela me disse que está vivenciando a solidão materna como vivenciamos quando nossos bebês nascem.

Bingo!

Entendi o que estava acontecendo comigo! Consegui achar uma explicação, colocar em palavras, dar um nome.

Quando nos mudamos para outro país, especialmente com filhos, entramos em um processo de isolamento. Muitas vezes fazemos amizades, inclusive com brasileiros que são expatriados como nós, ou seja, entendem o que estamos passando e também sentem necessidade de fazer amizades, se relacionar. Mas não é a mesma coisa.

Nossos amigos de verdade e família ficaram para trás. Não temos a mesma intimidade com essas pessoas que acabamos de conhecer. Então é normal se sentir estranha, se sentir solitária.

A solidão materna de quando você se muda para fora do Brasil com filhos, ela existe e é assustadora. Mas acredite que isso melhora, isso vai passar. Você está cercada de crianças e você é o provedor delas, mas quem olha por você? Quem provém por você? A sobrecarga de ter que sozinha dar conta de tudo é muito pesada. Mesmo que os avós não fossem muito ativos nos cuidados para com as crianças, só de ter a família perto para dividir o sentimento do cansaço já ajuda. Só de ter a família perto para ficar de olho na criança por 5 minutinhos para você poder ir ao banheiro já ajuda. Além do lado da interação social, que nossos pais fazem esse papel também.

A verdade é que nós sofremos mais para nos adaptar do que as crianças. Quanto mais velha a pessoa mais difícil fica a adaptação com o novo.

Para sair dessa solidão materna de quem mora fora você precisa buscar novos amigos, sair sempre que possível (com as crianças que seja), procurar fazer atividades, mesmo que essa amizade não seja igual àquelas que você deixou para trás. Se tiver oportunidade de fazer um curso para ter um tempo só seu, faça (se precisar deixe as crianças com o marido ou com uma baby sitter). Não há nada de extraordinário que possa ser feito, nenhum segredo escondido nem nada mirabolante. Só aquilo que eu tenho certeza que você já sabia (e que provavelmente já estava fazendo).

A solidão materna de uma mãe que acabou de se mudar para fora do Brasil tem jeito e vai passar. É só questão de tempo e de se adaptar à nova realidade.

1 comentário

  1. Andressa comentou

    Bom dia!!!
    Adorei a sua página!!!
    👏😘😘😘

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