Como Ensinar Seu Filho a Expressar Emoções

Como Ensinar Seu Filho a Expressar EmocoesÉ bastante comum que crianças pequenas tenham dificuldade para identificar aquilo que estão sentindo e dificuldade para expressar essas emoções de forma apropriada. Este é um estágio crítico do desenvolvimento infantil, em que o vocabulário ainda é muito limitado, mas a criança já passa por um turbilhão de sentimentos. Ao contrário do que se acreditava antigamente, muito antes de desenvolver a linguagem, as crianças já são seres profundamente emocionais. Pesquisas na área do desenvolvimento infantil nos últimos 30 anos mostram que desde os primeiros meses de vida, os bebês sentem felicidade, tristeza, medo, raiva, excitação, aflição etc.

Quando as crianças sentem dificuldade para expressar seus sentimentos, elas tendem a ficar frustradas e agressivas. Vamos fazer um breve exercício aqui de nos colocar no lugar de uma criança de 2 anos? Imagine então que você não consegue encontrar seu brinquedo preferido e você está triste por causa disso. Mas você não consegue pedir ajuda para seus pais, não consegue dizer que está chateado e não consegue dizer o que está acontecendo. Por mais que você “explique” com os sons e gestos que você conhece, ninguém compreende a situação. Natural então que você fique frustrado, não é mesmo? Essa frustração vai aumentando e, somada ao sentimento inicial, acaba se transformando em um ataque de raiva, um “tantrum”, vulgarmente chamado de “birra”.

Geralmente não damos tanta importância aos marcos de desenvolvimento emocional quanto aos marcos psicomotores (aprender a andar, aprender a comer sozinho, aprender a usar o penico etc). No entanto, os marcos emocionais são de igual importância para o desenvolvimento da criança. A auto-regulação é a habilidade que temos de gerenciar toda a nossa gama de emoções de maneira eficaz. Pesquisas recentes mostram que a auto-regulação é um dos fatores mais importantes para o sucesso na vida escolar, profissional e nos relacionamentos ao longo de toda a vida.



Então, nosso papel como pais e educadores, diante dessa fase de desenvolvimento da criança, é crucial. Para ajudarmos nossos filhos, temos que abraçar seus sentimentos. Sentimentos não são certos ou errados, eles existem e pronto. Tristeza, alegria, raiva e amor podem coexistir e são parte integrante do turbilhão de emoções que as crianças experimentam. Ao ajuda-las a entender seus sentimentos, você está dando ferramentas para a criança conseguir lidar com eles.

1) Dê nome às emoções em tempo real. As crianças têm vocabulário limitado, então ajude-as a colocar os sentimentos em palavras. O primeiro passo para lidar com um sentimento é identifica-lo. Fale o óbvio, de forma simples, no momento em que ele aparecer. Desta forma você está ensinando de forma ativa a criança a ligar o sentimento daquele momento com as palavras certas e desenvolvendo um vocabulário emocional.

Exemplos:
– Que sorrisão, você está feliz! Está feliz porque está fazendo uma coisa que gosta!
– Estou vendo que você está irritado. Está irritado porque quer o biscoito e eu não te dei.

2) Incorpore palavras que definem emoções ao seu próprio vocabulário diário. Como podemos esperar que nossos filhos expressem seus sentimentos se nós não o fazemos? Crianças aprendem muito nos observando e copiando. Elas estão constantemente olhando para nós e aprendendo como elas devem reagir e o que devem dizer em diversas situações. Então quando nós soltamos aquele belo palavrão ou quando gritamos de raiva, nossos filhos entendem que essa é a maneira como eles devem expressar também suas emoções. Se nós queremos que eles usem palavras para nos mostrar o que estão sentindo, então temos que dar o exemplo e fazer o mesmo! Às vezes, no calor da emoção, é difícil usar palavras positivas, eu sei, mas procure usar palavras ou expressões que definam com exatidão a emoção pela qual você está passando no momento. Use um vocabulário emocional rico, fale em voz alta para seu filho ouvir que você está frustrada, preocupada, ansiosa, nervosa, cansada, com medo, entediada, irritada, decepcionada, animada, orgulhosa, alegre, agradecida etc. As crianças vão aprender a usar essas palavras no contexto certo se elas estiverem acostumadas a ouvi-las no dia a dia.

3) Seja empático. Empatia é muito importante ao lidar com todas as pessoas, não só com crianças. Por mais que você ache que seu filho está triste por uma coisa boba, não desvalorize o sentimento dele. Sinta junto com ele, apoie.

Exemplos:
– Você está tão triste. Tudo bem, o papai vai te abraçar enquanto você chora e coloca pra fora toda essa tristeza.
– Você ficou com medo do monstro no desenho? É normal a gente ter medo de algumas coisas, filho. Papai está aqui do seu lado, tá?

4) Não minimize sentimentos. Nunca minimize aquilo que seu filho está sentindo. É normal que a gente não queira que nossos filhos fiquem tristes, mas é importante deixa-los sentir, não devemos “tira-los” de um sentimento negativo. Sentimentos precisam ser expressados de uma maneira ou de outra. Se forem ignorados ou minimizados, poderão voltar numa forma mais agressiva ou poderão ser “varridos para debaixo do tapete” e transformados em ansiedade ou depressão.

Exemplo:
Não diga “Você está triste porque seu amiguinho está indo embora? Deixa pra lá, você vai vê-lo outro dia”. Em vez disso, diga “Você está triste porque seu amiguinho está indo embora. Você gosta de brincar com ele, não é? Vamos até a janela dar tchau pra ele e depois fazer planos pra combinar de vocês se encontrarem de novo?”

5) Identifique emoções em outras pessoas. Às vezes pode ser difícil para a criança focar naquilo que ela está sentindo e ainda associar a palavras novas, então uma forma alternativa é mostrar sinais de emoções em outras pessoas. Observação é um método primário para o aprendizado e pode ser bastante eficiente. Quando você vir alguém demonstrando uma emoção de forma nítida, mostre para seu filho e dê nome àquele sentimento.

Exemplo: “Está vendo aquele menino chorando? Ele deve estar triste. Por que será que ele está triste?”

Nomear sentimentos em outras pessoas enriquece o vocabulário emocional da criança e também trabalha a empatia. Seu filho aprenderá a ler situações sociais corretamente se ele desenvolver uma habilidade para ler as emoções dos outros.

6) Brinque de “Adivinhe o sentimento”. Depois que você perceber que seu filho já começou a compreender e expressar algumas emoções, você pode usar uma brincadeira de forma educativa para fortalecer o aprendizado. Faça expressões faciais e peça para ele dizer qual é a emoção correspondente. Faça a brincadeira perto de um espelho. Peça para a criança fazer expressões faciais na frente do espelho e brinque de adivinhar cada uma.

7) Compre livros sobre sentimentos. Livros são recursos maravilhosos para ensinar crianças sobre sentimentos e emoções de uma forma mais natural e informal.



8) Baixe aplicativos no celular, há vários cujo objetivo é ajudar as crianças a identificar sentimentos e emoções.

Alguns especialistas em linguagem dizem que as crianças precisam escutar palavras por 6 meses antes que consigam usá-las por elas mesmas. Então, podemos começar a falar sobre sentimentos desde que começamos a falar com nossos bebês! Não significa que seu filhote vai falar que está triste logo no primeiro ano de vida, mas certamente terá mais facilidade em expressar sentimentos mais cedo. Aqui em casa já estamos colocando em prática com o Pititico, que está com 2 anos e 5 meses. Mas com os próximos filhotes já vamos começar antes do primeiro ano, por que não?

Ensinar as crianças a expressar suas emoções é uma tarefa que demanda tempo e paciência. A forma mais eficiente é naturalmente, no dia a dia da criança. Seguindo as dicas acima, quando você menos esperar, seu filho desenvolverá as habilidades necessárias para conseguir expressar aquilo que sente! Você é o guia dos seus filhos para dividir sucessos e ajuda-los a superar cada desafio. Mãos à obra!

 

Fonte:
Parents 
PSB
Anxious Toddlers
Aha Parenting

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