Inclusão de Crianças Autistas nas Escolas

Pensando na inclusão de crianças autistas nas escolas, fiquei refletindo sobre a minha formação no curso de pedagogia. Depois pensei mais ainda sobre as três pós-graduações que fiz em educação e descobri que há muito ainda para lutar pela verdadeira inclusão nas instituições escolares brasileiras. Começando pela formação dos educadores. Para sabermos mais a fundo sobre o universo do autismo, por exemplo, creio que só se fizéssemos a pós em educação especial que realmente é voltada para este objetivo. Vi que tenho muito o que aprender e vi também que não nos norteiam sobre os processos de aprendizagem da criança autista nas formações. Não nos dizem que ela tem suas necessidades específicas de aprendizagem. Pouco se fala em um dos mais importantes métodos: TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Communication Handicapped Children, em português – Tratamento e Educação de Crianças Autistas e com Desvantagens na Comunicação). O método TEACCH foi desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte e tem como pontos básicos na sua filosofia:

• Propiciar o desenvolvimento adequado e compatível com as potencialidades e a faixa etária do paciente;
• Funcionalidade (aquisição de habilidades que tenham função prática);
• Independência (desenvolvimento de capacidades que permitam maior autonomia possível);
• Integração de prioridades entre família e programa, ou seja, objetivos a serem alcançados devem ser únicos e as estratégias adotadas devem ser uniformes.

inclusão de crianças com autismo



Algumas dificuldades que as crianças autistas podem apresentar durante o processo de aprendizagem:

  • Distração;
  • Problemas em sequenciar;
  • Falta de habilidade em generalizar;
  • Padrões irregulares de pontos fortes e pontos fracos.

É claro que isso não se aplica a todas as crianças autistas. No entanto, há uma porcentagem grande dentre crianças com autismo que demonstram essas dificuldades no processo de aprendizagem.

Que todas as crianças têm o seu ritmo e cada sujeito é único, isso todos os professores sabem. Mas o sistema educacional está pronto para dar suporte aos professores que estão em sala de aula para lidarem com essas diferenças? E quando a diferença é ainda mais específica, há preparação para isso?
Há o olhar de estimular todo o potencial que essa criança tem para nos oferecer? Nós, professores, conseguimos ver que cada criança com autismo processa a informação da maneira dela?
Pergunto isso porque, para o profissional que está atento a essas questões, ele pode abrir infinitas possibilidades para a criança se desenvolver e construir uma linda história.
Mas somente quando formarmos professores que entendam o quanto as crianças são singulares, ainda mais se tratando de processos de aprendizagem vivenciados por crianças que têm as suas especificidades, é que talvez poderemos considerar a verdadeira inclusão na sala de aula. Enquanto não houver um suporte que comece lá em cima, lá no sistema educacional, será mesmo que dá para considerar as nossas escolas inclusivas? Será mesmo que estamos estimulando todo o potencial das nossas crianças?

Fica aí então essa reflexão!

Juntos somos infinitamente mais fortes e podemos sim mudar muita coisa, inclusive a educação de base, aquela que aprendemos nas nossas casas e na educação secundária, aprendida na escola!

Beijos e até a próxima!

 

Marcela Peconick é mãe, educadora perinatal, consultora em amamentação, jornalista e pedagoga com especialização em Educação Infantil e Psicopedagogia. Idealizadora do Espaço Corujona, um projeto educativo para as crianças e suas famílias.

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