O Papel do Pai na Amamentação em 14 Lições

papel-do-pai-na-amamentacaoPapais, esse texto é para vocês. Se a sua parceira decidiu amamentar no peito, parabéns! Ela está no caminho certo. Ou eu deveria dizer: VOCÊS estão no caminho certo. Amamentar pode ser um desafio para muitas mães, pelos mais variados motivos, mas cada esforço vale a pena. Os benefícios do aleitamento materno são enormes para o bebê. Temos um post falando sobre todos esses benefícios, vale a pena a leitura! Não é a toa que a Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva no peito pelos primeiros 6 meses de vida do bebê e que as mães continuem amamentando os filhos até pelo menos 2 anos de idade. O leite materno é o alimento MAIS COMPLETO para o seu filho. Você pode estar se perguntando: “ué, se eu não tenho leite, o que eu tenho a ver com isso?”. A resposta é: você tem tudo a ver com isso.

Se você está lendo esse texto, parabéns. O primeiro passo é se informar. Você quer que seu filho tenha o melhor tipo de alimento possível? Então, meu amigo pai, vamos falar sobre o seu o seu papel na amamentação?

1- Leia sobre o assunto: se a sua parceira quer amamentar, ela provavelmente está buscando informações sobre amamentação, seja em um livro, seja na internet. Aproveite e leia junto com ela sobre os benefícios do leite materno. A partir do momento que você perceber o quanto ele é benéfico para o crescimento e desenvolvimento biológico e cognitivo do seu filho, vai ser mais fácil para você defender a amamentação. Leia sobre amamentação em livre-demanda, informe-se sobre os benefícios e os riscos da cama compartilhada ou qualquer outro assunto relacionado à amamentação e tomem algumas decisões informadas junto com ela.



2- Ofereça seu total apoio: o período pós parto pode ser bastante complicado para as mães. Nesse período, os hormônios da mulher estão em grande concentração no corpo. É muito normal que as mães passem pelo baby blues, que é um estado de tristeza, medo e angústia. É um período difícil – a rotina da casa muda, a mãe dorme muito pouco e praticamente não tem tempo para nada. O bebê demanda muita atenção. Muita mesmo! Seja empático. Converse com ela nos momentos de angústia. Ouça de verdade o que ela tem para dizer e dê forças para ela continuar a amamentar. Quanto mais informado você estiver (item 1), melhor. Se vocês se depararem com qualquer dificuldade durante a amamentação, leia mais e se informe mais antes de tomar qualquer decisão que vá impactar na amamentação. Seja o suporte emocional dela em todos os momentos.

3- Busquem a ajuda de consultoras de amamentação e grupos de apoio à amamentação. Muitas pessoas dizem que amamentar é natural e instintivo. Ok, mas existem técnicas que favorecem e facilitam muito a amamentação. Seja em relação à pega, posições para amamentar, seja a respeito da frequência das mamadas, quantidade de leite ingerido e quantidade de fraldas de xixi por dia, ou qualquer outro assunto. Uma consultora de amamentação pode ajudar muito. Existem grupos de apoio à amamentação que contam com consultoras voluntárias. Procure o GVA – Grupo Virtual de Amamentação ou a La Leche League da região em que você mora! Há também consultoras privadas que oferecem um atendimento personalizado e à domicílio.

4- Ofereça ajuda para posicionar o bebê. Algumas posições facilitam muito a amamentação e a pega do bebê no seio. Você, pai, como observador externo, pode ver a posição por um ângulo diferente da mãe. Se você estiver bem informado sobre posições de amamentação, você pode sugerir colocar um travesseiro aqui ou ali para deixar mamãe e bebê mais confortáveis.

5- Cuide de sua parceira e ajude-a a relaxar. Vá na sala buscar a almofada de amamentação que ela esqueceu, vá na cozinha pegar a vitamina ou suplemento ou um simples copo d’água. Faça um lanchinho para ela durante o mamá ou surpreenda-a com uma massagem leve no pescoço para ajuda-la a relaxar.

6- Cuide do bebê sempre que puder. Amamentar no peito é exaustivo e sua parceira vai precisar de descanso. Para ter uma boa produção de leite ela precisa conseguir descansar. Então, quando você estiver em casa e o bebê não estiver mamando no peito, cuide você do bebê. Acorde no meio da madrugada junto com ela. Troque fraldas, dê banho, enxugue e vista o bebê. Dê colo, coloque para arrotar, enrole, coloque para dormir etc. Ajude a tentar decifrar o choro do bebê e atender às necessidades dele.

7- Cuide da casa. A mãe precisa se dedicar 100% ao bebê. Então enquanto isso você pode e deve tomar mais responsabilidades na casa. Cada casal tem sua maneira de dividir as responsabilidades do lar. A idéia é que você tome das mãos dela uma boa parte das tarefas que ela geralmente faz para que ela tenha mais tempo para cuidar do bebê.

8- Não deixe que ela desista. Se em algum momento sua parceira disser que vai desistir de amamentar (pode acontecer por conta do baby blues, dos medos, do cansaço etc), você tem que ser o advogado do aleitamento materno. Tenha sempre argumentos pró-amamentação (olha o item 1 aí de novo) e reforce para ela todos os benefícios que o leite materno traz para o bebê. Mas lembre-se de ser sempre empático. A idéia não é criar uma discussão nem briga. Ouça o que ela tem a dizer e compreenda todo o sacrifício que ela está fazendo pelo bem do filho de vocês. No fundo, no fundo, ela não quer desistir. Às vezes ela pode estar querendo alguém para confirmar as decisões dela. Não seja esse cara. Não a deixe desistir.

9- Não faça nem deixe que ninguém faça pressão sobre sua parceira. Toda mãe morre de medo de não ter leite suficiente para seu bebê. Nenhuma mãe quer que seu bebê passe fome. Então, há algumas coisas que você está proibido de falar e que você precisa proibir expressamente qualquer pessoa de falar, porque são comentário que: A) Não ajudam em absolutamente nada; B) Deixam a mãe nervosa e muito ansiosa, achando que não tem capacidade de amamentar. Então NUNCA FALE coisas do tipo:

– “Esse bebê está com fome!”
– “Você tem leite suficiente para ele?”
– “Seu leite é fraco, tem que dar leite em pó!”
– “Mas tem certeza que tá saindo leite desse peito?”
– “O meu filho mamou leite em pó / de soja / de cabra / de alienígena e está aí ó, muito bem.”

Além disso, dê espaço para a mãe. Não fique em cima nem deixe que outras pessoas fiquem em cima*, perguntando se o bebê está mamando, perguntando se ele pegou o peito. Às vezes só ficar olhando também incomoda. Fica uma tensão no ar e a mãe sente que está sendo observada e cobrada, mesmo em silêncio. Por isso o ideal é deixa-la confortável aonde ela escolher se sentar para dar de mamar e ficar à distância.

* Dica do Papai Tagarela (quem avisa, amigo é): é bem provável que essa pessoa que vai querer ficar em cima seja a sua própria mãe!

10- Ofereça água. Se o parto é como uma maratona, amamentar é como um triátlon: requer bastante resistência e força de vontade. Uma das coisas mais banais que tem grande importância é que a mulher se mantenha bem hidratada. Seja aquele cara que distribui água para os maratonistas. Por quê? Nos primeiros meses de vida do bebê, a mãe mal consegue se sentar para fazer uma refeição, ir ao banheiro ou tomar banho. É normal que ela se esqueça de beber água. Compre várias garrafinhas de água e espalhe pela casa, especialmente nos locais preferidos dela amamentar o bebê. E tente manter essas garrafas sempre cheias.

11- Compre suplementos que ajudam a aumentar a produção de leite. Temos um post bem completo aqui no blog sobre como aumentar a produção de leite materno. Vale a pena a leitura.

12- Compre todos os produtos que a sua parceira pedir para facilitar a amamentação e diminuir o desconforto – almofada de amamentação, absorvente de seio, bolsinha de gel quente para ajudar o leite a desempedrar, lâmpada incandescente para ajudar a cicatrizar a rachadura do seio, pomada para rachadura nos seios (ajuda a cicatrizar mas pode ter efeito colateral de causar entupimento), bomba para extração de leite materno etc.



OBS: Talvez você tenha que sair numa verdadeira missão em busca de algumas coisas dos itens 11 e 12 acima. Sair no meio da noite ou em dia de chuva torrencial pra correr atrás de alguma coisa que ela precisa faz parte! Eu me lembro de quando a baby Mia estava com umas 2 semanas, eu saí em busca de uma simples lâmpada incandescente, que por incrível que pareça levei 2 horas para achar.

13- Não compre lata de leite em pó nem mamadeiras. Nos momentos de cansaço ou dificuldade, se você tiver mamadeira e leite em pó em casa, vai ser muito mais fácil ceder à tentação de usá-las. O melhor é não comprar e tentar ao máximo a amamentação exclusiva no peito. Não ceda à pressões externas, confie no corpo da mãe! Ela tem leite suficiente para suprir a demanda do bebê e a produção aumenta à medida que o bebê precisa de mais leite. A natureza é sábia! Se houver alguma dificuldade na amamentação, volte para o item 3 da lista (buscar a ajuda de uma consultora de amamentação)!

14- Seja paciente. Os primeiros meses com o bebê são difíceis. É angustiante ter um bebê chorando e a gente sem saber o que fazer. A amamentação em si leva algumas semanas para se ajustar e pode ser bastante dolorido para a mãe. À medida que o tempo passa, o bebê aprende a mamar de forma mais eficiente, os seios passam a doer menos e as coisas tendem a melhorar.

Seja parte integrante de todo o processo de amamentação. Dê forças à sua parceira, encoraje-a com amor e empatia. Não deixe que ela desista! O seu apoio pode fazer TODA a diferença. Lembre-se: mamãe feliz = bebê feliz.

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