Terríveis 2 anos – Porque Acontece, Quando Começa e Como Lidar

Terríveis 2 anos – Porque Acontece, Quando Começa e Como Lidar

Chilique, birra, crises… seja lá o nome que você der, se você está lendo esse texto é porque você já está passando por essa fase (ou está muito preocupada com ela). Então vamos lá, senta e segura essa bomba que eu vou jogar no seu colo: OS TERRÍVEIS 2 ANOS NÃO COMEÇAM AOS 2 ANOS.



Não sei você, mas eu fiquei em choque quando descobri que com 1 ano e meio já começavam os terrible twos…

Por que isso acontece? O que são os terríveis 2 anos?

Os terríveis 2 anos são uma organização neurológica temporária.
O cérebro é dividido em cérebro repitiliano, sistema límbico e neocórtex.

Repitiliano: Quando um bebê nasce o cérebro repitiliano está completamente desenvolvido. Ele é responsável pelos comportamentos involuntários (que nos fazem sobreviver). Ele é responsável por exemplo, pelo choro do recém-nascido quando se sente sozinho, ou seja, chora por instinto de sobrevivência. É responsável pelo instinto de sobrevivência! No cérebro repitiliano só há instinto, não há pensamento racional. Quando alguém perde a cabeça é o cérebro repitiliano trabalhando mais ativamente e quando ele trabalha mais ativamente que os outros ele não nos deixa raciocinar direito e pensar nas consequências.

Sistema límbico: Esse é responsável pelas emoções. Ele se desenvolve quase que por completo até os 5 anos mas o pico de desenvolvimento dele se dá sabe onde? Tá dá: nos terríveis 2 anos!!! E outro pico de desenvolvimento ocorre na adolescência. Não é coincidência! Esses picos trazem várias emoções e sentimentos que se afloram de forma desordenada às experiências vivivas no dia a dia da criança (ou adolescente). Aprender a lidar com esses sentimentos leva muito tempo, então é preciso ter muita calma nessa hora. Aprender a lidar com esses sentimentos é como aprender a lidar com qualquer fase de desenvolvimento da criança: sentar, engatinhar, andar etc… não é na primeira tentativa que vai aprender. Entendeu? Com o tempo a criança aprende a controlar o seu sistema límbico um pouco melhor e essa fase passa.

Neocórtex: É aqui que vai acontecer o pensamento racional, que nos diferencia das outras espécies. O desenvolvimento começa no nascimento beeem lentamente, mas só toma força a partir dos 5 anos e termina aos (pasme) 20 anos!!! Ação e reação, linguagem, capacidade de se entender como alguém no mundo, capacidade de premeditar, capacidade de se colocar no lugar do outro, de entender as consequências de um problema, capacidade de perceber porque algo aconteceu daquele jeito e mais muitos outros raciocínios complexos e abstratos são acontecem através de ligações neurológicas no neocortex! Resumão da ópera: crianças pequenas não conseguem entender os limites que damos à elas e quando conseguem entender, elas não têm auto controle para seguir esses limites. Isso só vai acontecer com o tempo, conforme o cérebro for se desenvolvendo!

Aí do nada o seu bebê de 1 a 3 anos dá um “chilique” – se joga no chão do supermercado, grita, esperneia, se debate…

Aquele sorriso lindo, como um passe de mágica pode se transformar em gritos no meio do supermercado. Aquele olhar mais meigo do mundo, pode passar a ser raiva quando for contrariada ou quando ouvir um “não”. Aquele carinho gostoso pode passar a ser tapas caso ela não consiga expressar direito os seus desejos.

Isso acontece porque o sangue reduz no neocórtex e vai para o sistema límbico. E sem irrigação e oxigenação, o neocórtex não funciona direito (além de tudo, no caso da criança pequena o neocórtex é subsdesenvolvido, lembra?).

Eu aposto que todo mundo aqui já perdeu a cabeça! E perder a cabeça é exatamente isso. O sangue vai do neocórtex para o sistema límbico, te impedindo de raciocinar.  E o nosso neocórtex e sistema límbico já são desenvolvidos! Imagina a cabeça de uma criança quando isso acontece.

Como resolver?

Já ouviu falar em terapia do abraço? Não? Leia aqui então, é super indicado para essas ocasiões. Lembrando que abraçar não significa dizer sim quando você já disse não. Você pode manter o não e acolher o desespero da criança ao mesmo tempo. Você pode educar, ensinar o “por favor”, “obrigada” e “dá licença” e acolher o “chilique” ao mesmo tempo. Não confunda acolher com não educar. Leia o texto da terapia do abraço para entender melhor.

Outras dicas legais é contar até 10, dar uma volta para acalmar (ou antes de explodir), respirar fundo. São técnicas que servem tanto para as crianças quanto para os adultos.

Tudo isso funciona porque ajuda a trazer oxigenio o neocórtex novamente! Baixar o cortisol e subir os níveis de ocitocina.

Crianças que mamam pedem para mamar por esse motivo, porque sentem o sistema límbico desregulado e mamar sobre os níveis de ocitocina no organismo. E é pelo mesmo motivo que a terapia do abraço funciona, porque quem não mama mais precisa de contato físico para subir os níveis de ocitocina (contato físico libera ocitotina).

Por isso que quando a criança cai, sente dor ou medo, ela corre para os pais. Isso se chama inteligência emocional e não dependência emocional.

Por isso ignorar a situação não é a melhor opção?

Ignorar a criança não faz com que ela aprenda a lidar com as suas frustrações. Ignorar a criança faz com que ela se sinta abandonada (psicólogis infantis falam isso inclusive)

Além de tudo, quem gosta de ser ignorado quando esta chorando? Se você não gosta por que fazer isso com as crianças?

Durante uma crise, se a reação dos pais ou cuidadores é de ensinar essa criança trazendo o sangue de volta pro neocortex (contato físico), ela vai aprender a raciocinar em cima dessas emoções, aprender a lidar com os sentimentos e consequentemente aprender a controlar. Isso tudo com muitos meses ou anos de aprendizados (até os 5 anos o sistema límbico ainda está se desenvolvendo, lembra?)

Caso os pais têm uma reação não muito boa com o estado emocional que a criança se encontra naquele momento (brigar com a criança, ignorar, bater etc), a criança se sente ou abandonada ou ameaçada. Isso é um problema. Porque nesse o sangue é reduzido do sistema límbico pro cérebro reptiliano da criança, e aí a criança entra em modo de sobrevivência.

Até entendo que na hora do cansaço ignorar seja uma opção, porque dependendo do dia pode ser mesmo punk. Somos humanas (os) também, temos o nosso limite, é difícil manter a paciência as vezes (e perdemos a oxigenação do neocórtex para o sistema límbico também rss). Nesses casos é saudável você colocar primeiro a sua máscara de oxigênio, sair de perto, contar até 10, respirar fundo e voltar para lidar com a situação.

O estopim da crise:

Muitas crises nessa idade acontecem porque a criança quer algo e não consegue se comunicar. A Mia já se comunica, então quando ela quer algo e começa a se estressar, eu falo para ela se acalmar e pedir por favor. Ela faz direitinho.

Quando é algo que ela pode ter eu falo não (e não volto atrás – é importante não ceder com o choro para a criança não acostumar que vai ganhar no choro – mesmo sendo algo que você possa ceder). E digo não, quando vem a crise eu mantenho o não, mas dou colo, abraço e continuo falando que “A mamãe não pode te dar isso, meu amor, tá bom? Tudo bem, pode chorar, eu entendo a sua frustração”. Tudo isso enquanto abraço e dou colo.

Se é algo que eu já ia dar, eu não dou durante o choro. Faço ela se acalmar primeiro e pedir por favor.

Quando não quer comer ou vestir algo a técnica que eu uso é dar duas opções. Nessa idade as crianças já gostam de escolher, então é saudável você dar duas opções de sapatos para que a criança escolha antes de sair de casa, ou duas opções de casaco, ou duas opções de comida etc. A não ser que só tenha aquela comida, aí eu falo que só tem aquilo. Se ela não quiser eu guardo e ofereço mais tarde a mesma coisa, como recomendam as nutricionistas.

E é assim que teu tenho lidado com as crises dos 2 anos da Mia e tem sido bem tranquilo (na medida do possível)

Lembre-se sempre. O cérebro da criança está em desenvolvimento, ela não sabe lidar com as suas emoções. Ela precida de você, mãe, pai, cuidador para ensina-la a lidar com seus sentimentos.

Bater, ignorar, desdenhar dos sentimentos da criança também vai resolver, mas não vai ensinar a lidar com os sentimentos, vai ensinar a criança somente a obedecer, sem nem ainda ter o autocontrole desenvolvido para lidar com os sentimentos. Quando batemos ou ignoramos estamos jogando a criança de volta para o cérebro primitivo de sobrevivência dela (repitiliano) – e é por isso que essas atitudes funcionam, porque a criança aprende que tem que ficar quieta para sobreviver. Porém os sentimentos ficam reprimidos.



Por isso que deixar chorando no berço funciona! Assim como ignorar, gritar, bater – tudo isso funciona porque a criança aprende a sobreviver daquela forma. Mas funciona a curto prazo e o resultado é imediato.

Porém eu decidi pelo caminho a longo prazo que é ensinar os meus filhos a lidar com seus sentimentos usando o neocórtex (e não simplesmente entrar em modo de sobrevivência).

Mas calma, não é tarde para mudar a maneira de lidar com a crise dos dois anos se você decidir escolher assim.

Saiba sobre a fase da curiosidade – 2 anos:


Fonte: Stheffany Nering

2 comentários

  1. Amanda comentou

    Amei o texto, aqui em casa eu sigo essa metodologia, mais meu marido não segue, e acabo me frustrando com isso… mais converso muito com ele, e acredito que vai ceder uma hora, rs.
    Só fiquei com uma dúdiva, quando a criança não fala, no caso meu bebê tem 1a5m, ele não pode pedir por favor, um exemplo, qual dica você daria?
    Grata, bjos.
    Amanda

    1. Thaís Cardoso respondeu Amanda

      Continua ensinando, Amanda. Ele não fala mas entende, pode ter certeza. O que importa é aprender, mesmo que ainda não use. Bjs

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