O Uso da Terapia do Abraço na Educação Infantil

O Uso da Terapia do Abraco na Educacao InfantilLilian Medeiros é educadora infantil na Austrália e ao ler o meu texto sobre a terapia do abraço ela me contou dos resultados positivos de usar o mesmo tipo de terapia com as crianças com as quais ela trabalha. Hoje ela veio aqui contar para vocês a experiência dela no uso da terapia do abraço na educação infantil:

“Sou Educadora Infantil de bebês e crianças na faixa etária entre 4 meses a 3 anos. Faixa etária super delicada, aonde a criança “molda” a sua personalidade, constrói sua auto-confiança e aprende a lidar com diversos sentimentos como frustração, solidão, desapego, etc. E é exatamente aí que nós profissionais (e pais) entramos com o suporte para que a criança aprenda a lidar com esse bombardeio de emoções e sentimentos que muitas vezes nem nós adultos temos controle.

Aqui em Sydney, na Austrália, muitas Instituições de Ensino tem usado a terapia do abraço como método de suporte para essas crianças. Esse método tem funcionado tão bem que tem ficado cada vez mais comum. Centros de Ensino, Educadores Infantis e até mesmo os pais das crianças pesquisam mais sobre esse assunto para colocá-lo em prática diariamente em suas Instituições ou em casa.



O método consiste em acalmar a criança usando o abraço como resposta ao sentimento de desespero, choro ou incompreensão da criança ou bebê. Não basta apenas abraçar a criança. Temos que nos colocar em seu lugar, temos que compreendê-la e sentir a sua dor. Ela tem que perceber que você esta ali dividindo aqueles sentimentos com ela e que juntos vão achar uma solução. A nossa doação de amor e a nossa paciência nesse momento é fundamental. Após esse momento de troca, encorajamos a criança a expor seus sentimentos, a falar o porque do choro, ou do escândalo etc. É muito comum a criança voltar a se alterar ao relembrar das suas frustrações e decepções que acabaram de experienciar. É aí que novamente a terapia do abraco entra em ação. Quando a crianca se acalma novamente, devemos explica-la a situação. O porquê de aquilo ter ocorrido ou o porquê do não. Uma das coisas que nunca dizemos à criança é: “Não existe razão para chorar” ou “Não precisa chorar por isso.” Lembre-se: Essas frustações, para a criança, são extremamente dolorosas e elas não tem idéia de como lidar com elas. Elas precisam da nossa ajuda. Quando lidamos com as frustações dos bebês menores de 1 ano, trabalhamos um pouco diferente no ultimo step já que a explicação do porquê se torna mais difícil de ser compreendida. Nesse caso, usamos apenas o abraço e o “está tudo bem” ou “eu estou aqui com você” e em seguida tentamos distrair a criança com algo que a faça substituir os sentimentos de frustração por sentimentos bons como doar amor a uma boneca, a um carrinho, a um bichinho de pelúcia, olhar um passarinho ou olhar uma flor. Algo que mostre ao bebê que podemos substituir os momentos ruins pelos bons e que vivenciar o bom é muito mais prazeroso do que persistir no ruim.

Um outro método que tem sido utilizado muito por aqui e que tem ajudado muito nesse processo de desenvolvimento emocional da criança é o incentivo aos pais em evitar causar ansiedade na criança entre a faixa etária de 1 ano e meio a 5 anos. Como por exemplo: Dizer à criança que estão indo viajar com dias de antecedência, ou que depois da escola eles vão nadar na piscina, ou vão ao cinema. Ou que a vovó esta vindo visitá-los em alguns dias, etc. Isso cria um stress emocional na criança gerado pela ansiedade que dificulta ainda mais a criança nesse processo de autoconhecimento.

Muitos pais por aqui acham um exagero, um excesso de cuidados desnecessários e que tudo isso não passa de um blá blá blá. Psicólogos e profissionais que têm implementado esses métodos acreditam que para tudo existe o tempo certo e a faixa etária certa e a criança precisa desse tempo para aprender a lidar com todos esses traumas e sentimentos que, quando não trabalhados da maneira correta e no tempo correto, podem gerar doenças psicológicas como a depressão, a auto-rejeição e outras. Algo tão comum nos dias de hoje. Quero deixar claro que tudo o que escrevi foi para expor as experiências que tenho vivido como Educadora Infantil e praticante da Terapia do abraço.”

lilian medeiros edocadora infantil terapia do abraco

 

 

Lilian Medeiros trabalha como educadora infantil em um Centro de Educação Infantil em Sydney – Austrália

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: The Guardian

Um Comentário:

  1. Funciona sim tenho feito aqui em casa e da muito certo por enquanto minha filha não fez birra em público so em casa ai é mais fácil abraçar acalmar sentar e explicar toda a situação. Não acredito que deixar a criança berrar espernear ajude em alguma coisa e difícil no começo tem que ter paciência respirar fundo e tentar fazer.

Dê a sua opinião: